Materiais
Cimento queimado, madeira e ladrilho hidráulico: a casa com alma baiana

Existe um jeito de morar que é muito nosso: casa fresca, piso que pede pé descalço, madeira de verdade, cor sem medo. Boa parte dos meus projetos parte de três materiais que as casas da região conhecem há gerações, e que continuam atuais quando são bem usados: cimento queimado, madeira e ladrilho hidráulico.
Cimento queimado: fresco, contínuo e honesto
O piso de cimento queimado é fresco ao toque, não tem rejunte e cria uma superfície contínua que amplia visualmente o ambiente. Funciona em sala, quarto, varanda e até em paredes e bancadas.
Cuidados que fazem a diferença:
- Juntas de dilatação. Cimento trabalha com a temperatura. Sem juntas bem planejadas, as trincas aparecem onde querem; com elas, você escolhe o desenho.
- Mão de obra experiente. O "queimado" é feito na hora, com o cimento ainda fresco. É um serviço artesanal, e a qualidade depende de quem executa.
- Proteção final. Resina ou selador adequado evita manchas, principalmente em cozinha e banheiro. Em áreas molhadas, o acabamento não pode ser liso demais, para não escorregar.
- Aceite a personalidade. Manchas sutis e variação de tom fazem parte do material. Quem quer superfície perfeitamente uniforme deve considerar porcelanato.
Madeira: o que aquece a casa
Portas, janelas, bancos, aparadores, forros e estruturas aparentes: a madeira é o contraponto quente do cimento. Móveis de madeira maciça e de demolição carregam história e duram décadas, se forem tratados como merecem.
- Em área externa e varanda, use madeira apropriada e proteja com stain ou verniz com filtro solar, renovando periodicamente. Sol e chuva do litoral não perdoam.
- Afaste do contato direto com água e do piso úmido: pés metálicos, sapatas e pingadeiras prolongam muito a vida da peça.
- Previna cupim com tratamento na origem e inspeção regular, especialmente em madeira de demolição.
- Misture com leveza. Madeira no piso, no forro, nas portas e em todos os móveis escurece e pesa. Eleja os protagonistas.
Ladrilho hidráulico: cor e memória
Feito um a um, de cimento pigmentado, o ladrilho hidráulico é o detalhe que dá identidade. E não precisa cobrir o cômodo inteiro:
- "Tapete" no piso: um quadro de ladrilhos emoldurado por tijolo ou pelo próprio cimento queimado marca a entrada, a mesa de jantar ou o centro da cozinha.
- Faixa sobre a bancada da cozinha ou do lavabo, no lugar do revestimento comum.
- Nichos e detalhes: o fundo de um nicho no banheiro, o espelho de uma escada, o tampo de uma mesa.
Por ser poroso, o ladrilho precisa ser impermeabilizado antes e depois do rejunte, e limpo com produto neutro. Ácido e água sanitária mancham.
Como combinar os três sem pesar
- Uma base neutra. Cimento no piso e paredes claras deixam madeira e ladrilho aparecerem.
- Um ponto de cor assumido. Uma parede em vermelho-terra, amarelo ou azul-colonial, de preferência conversando com uma cor do ladrilho.
- Repetição discreta. A estampa que aparece no piso pode voltar em um detalhe do banco ou da bancada. É o que costura o projeto.
- Luz natural e ventilação. Materiais naturais pedem claridade. Muxarabis, treliças e janelas generosas mantêm a casa fresca e valorizam as texturas.
- Verde por perto. Plantas dentro de casa e um jardim bem resolvido completam esse estilo como nada mais. Para a área externa, conte com o paisagismo de Nicolai Jardins, nosso parceiro.
Bonito, e também inteligente
Além da estética, essa combinação faz sentido para o nosso clima e para o bolso: são materiais frescos, duráveis, em boa parte produzidos na região e fáceis de manter. É a prova de que casa com personalidade não depende de acabamento caro; depende de projeto. Se você está pensando em construir ou reformar, comece por planejar a obra com calma.

